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Bloco de Esquerda defende revogação do contrato de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara PDF Imprimir e-mail
23-Nov-2009
contentores.jpgO Bloco de Esquerda apresentou hoje um Projecto de Lei através do qual defende a revogação do Decreto-Lei nº 188/2008, de 23 de Setembro, que permite prorrogar até 2042 o prazo de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara à Liscont e que determinou a ampliação da área ocupada pelo mesmo. De acordo com o PL apresentado o Bloco defende que a "revogação do Decreto-Lei 188/2008 extingue a compatibilidade do contrato administrativo de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara com a base legal ao abrigo da qual foi celebrado entre a APL - Administração do Porto de Lisboa S.A. e a LISCONT – Operadores de Contentores S. A", assim, como consequêncoa,  tal contrato torna-se nulo, pois deixa de ser compatível com qualquer diploma legal. 
 
Uma das questões polémicas deste contrato, passava pela pela obrigatoriedade do erário público em suportar os custos inerentes, independentemente das condições que venham a existir, como quebra de tráfego, desastres naturais, entre outros, contrariando o Código dos Contratos Públicos, segundo o qual, qualquer Parceria Público-Privada implica uma necessária transferência de risco para o sector privado. A própria adjudicação directa do contrato à Liscont implica uma inversão  na lógica de qualquer concurso efectivamente público.

Na auditoria realizada pelo Tribunal de Contas, a oportunidade de celebração deste contrato,  bem como a própria necessidade de expansão do Terminal, foram questionadas pelo órgão judicial, esclarecendo o mesmo que tal não "seria nem um bom negócio, nem um bom exemplo, para o Sector Público, em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos", conforme se pode ler no relatório efectuado.

Assim, o Decreto-Lei hoje apresentado pelo Bloco defende que "o Governo tem de retirar as consequências decorrentes da nulidade que decorre agora da incompatibilidade que passa a existir, cumprindo-lhe proceder para que o contrato celebrado entre a concedente pública e a concessionária privada cesse os seus efeitos".
O Bloco recorda ainda, nesta iniciativa legislativa que na X Legislatura o Decreto-Lei 188/2008 foi sujeito a apreciação parlamentar e a cessação da sua vigência foi impedida pela maioria absoluta do Partido Socialista, tendo todos os restantes partidos votado favoravelmente.
 
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